quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

"da imensa ausência"

Quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer
a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrerem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas
um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz
quero morrer
com uma overdose de beleza
e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador
                           Al Berto (nasceu a 11 de janeiro de 1948 e morreu a 13 de junho de 1997)   
Al Berto nos tempos em que vivia na Bélgica
(Foto: Cortesia de Vicente Alves do Ó) 

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