quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Crónica do mês_Fevereiro

O empregado do restaurante corria de um lado para o outro da sala, com bebidas e pratos na mão, ou sem eles. Sentia-se o seu cérebro a mil. Era impressionante!
O meu irmão chegou a comentar que tinha pena dele, pois suponha-o o único trabalhador naquela pequena divisão com demasiadas cadeiras, mesas e gente.
Sempre que vejo estes trabalhadores, não consigo apreciá-los, sem apreciar o outro lado da sua vida. Imagino quem os espera ao final do dia, se alguém espera.
De há uns tempos para cá decidi começar a deixar uma lembrança minha, de escritora, nos restaurantes por onde passava. É como um miminho, para quebrar a rotina chata que vivem diariamente ou só nos biscates do fim de semana.
Óbvio que nem todos se apercebem da mensagem ou deixam sequer que eu a deixe! Alguns restaurantes irritam-me, simplesmente porque já não têm aquelas folhas de papel engraçadas, debaixo dos pratos ou a cobrir toda a mesa, onde as mamãs desenham o jogo do galo para entreter os filhos que anseiam por batatas fritas.
Gosto de escrever nesses papéis. E ontem até estudei história neles, relatando todas as fases da Revolução Francesa.
- Triste, triste, vai ser quando ele amachucar este papel e for pôr no lixo. – concluiu o meu irmão.
Mas eu não fiquei triste, estava demasiado ocupada a pensar no que a namorada e os dois filhos de 5 e 9 anos diriam ao empregado quando ele chegasse a casa.
Camila Gonçalves

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