sexta-feira, 12 de abril de 2019

Crónica do mês_abril

Devaneios 

De olhos fechados, a luz do sol sobre os galhos das árvores parece o início de um filme antigo. 

Abafado de verde, o céu é um feixe de meros fragmentos de azul ciano, reflexo do mar e dos olhos do velho que a observa do peito para baixo. 

Adormece. Em poucos minutos já não está deitada no banco do parque, mas sim numa varanda, em Paris, e mira os transeuntes que caminham, como formigas, sobre um pedaço de bolo que alguém deixou cair no chão. 

O som das ruas é como o murmúrio do mar e logo a paisagem muda. Paris enche-se de água e toda a gente ganha um par de barbatanas. Menos ela, que continua à varanda, com uma saia em vez de jeans, uma blusa florida em vez da t-shirt, um sorriso em vez de lágrimas. 

Alguém lhe acena. Ela acena de volta. Não sabe quem é. Está tudo um pouco desfocado, mas também não importa. Respira-se tranquilidade naquele sítio. O latido de um cão é quase impercetível e não a deixa lembrar-se do medo que tem desses animais. Passa, como se nada fosse. 

É uma manhã clara, onde as cores rosa salmão e amarelo claro, se misturam da mais bela forma. 

Tudo é calmo, tudo é paz! Mas ela sabe que quando abrir os olhos tudo acabará! 

Por isso, aproveita os últimos momentos e deixa que o filme antigo recomece.
Camila Gonçalves

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